O novo homem em Jesus Cristo

O nascimento do novo homem

Estes versículos no terceiro capítulo do Evangelho de João, que nos apresentam o diálogo entre Jesus e Nicodemos, serão importantes para nosso estudo do novo nascimento ou da doutrina da regeneração: “…ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito” (Jo 3.5,6).

Nascido não do sangue nem da carne

Jesus fez um contraste entre o que nasce da carne e o que nasce do Espírito. O evangelista João já tinha registrado no primeiro capítulo de seu evangelho que aos que creram em Jesus foi lhes dado o direito de serem feitos filhos de Deus, “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne…” (Jo 1.13). Mas o que isto significa dizer? Orlando Boyer responde para nós: “O novo nascimento não é hereditário, isto é, do sangue; não é de geração natural (…) O novo nascimento não se alcança por qualquer energia carnal”[1].

Mesmo o mestre Nicodemos teve dificuldade em entender as palavras de Jesus, julgando que o novo nascimento fosse um retorno ao ventre materno, para de lar tornar a nascer naturalmente. Isso seria ou um absurdo lógico ou uma heresia reencarnacionista! O novo nascimento é de natureza espiritual, e não carnal!

 

Nascido de Deus

Segundo Menzies e Horton, a regeneração, isto é, o novo nascimento é

a concessão de vida espiritual (Jo 3.5; 10.10; 1Jo 5.11,12). A regeneração significa nascer de novo, ‘nascer do alto’ (Jo 3.3). É a concessão de uma nova natureza (Jr 24.7; 2Pe 1.4). a regeneração é um ato criativo de Deus (…). Em lugar da depravação que nos escravizava, temos hoje nova natureza, somos da família de Deus (Ef 2.19).[2]

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus acrescenta:

 

Regeneração é a transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário. Essa obra também é conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo e nascer do Espírito.[3]

Pela regeneração, Deus se volta para nós e nos dá uma nova natureza, a natureza do Espírito, pela qual somos vivificados e capacitados para uma nova vida. Com esta natureza podemos pensar corretamente, falar corretamente e agir corretamente, cumprindo a vontade de Deus para nós. Como dizia Paulo, “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17).

Sem esta nova vida é impossível ao homem tomar parte no reino de Deus! (Jo 3.5). Isto porque o reino de Deus é marcado pela pureza, pela humildade, pela mansidão, pela paz, pela justiça e outros valores singulares (Mt 5.1-11; Rm 14.17; Gl 5.22,23); mas o homem que não foi regenerado não tem estas qualidades morais no modo e na medida que Deus deseja, não podendo ser, portanto, um cidadão deste reino espiritual.

 

Nascido da água

A expressão “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5) não é interpretada em consenso pelos teólogos. Como aponta Charles Ryre[4], há pelo menos quatro interpretações divergentes para esta expressão:

(1) Alguns pensam que se refere ao batismo como condição para a salvação, o que nós negamos veementemente!

(2) Outros pensam tratar-se do arrependimento indicado pelo batismo de João, como se Jesus estivesse dizendo a Nicodemos que ele precisava crer na mensagem pregada por João Batista e aceitar seu batismo. Essa opinião nos parece frágil e fora de contexto.

(3) Outros associam nascer da água com o nascimento físico (mais especificamente ao líquido amniótico liberado quando a bolsa rompe antes do parto; ou ainda ao esperma, visto que, segundo William MacDonald, “os rabis usavam ‘água’ para o esperma do homem”[5]).

(4) E ainda outros pensam ser uma referência à Palavra de Deus, como em João 15.3, quando Jesus diz aos seus discípulos: vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.

Uma quinta interpretação sugere que “nascer da água” refira-se ao batismo nas águas, mas não como condição para salvação (o que os intérpretes do ponto (1) elencado acima defendem), e sim como confirmação pública da salvação recebida pela fé. Entretanto, esta interpretação parece-nos insustentável diante da afirmação de Jesus: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito”. Ou seja, admitindo-se que esta água seja uma referência ao batismo cristão, então, necessariamente deveria se admitir que este batismo é uma condição para se entrar no Reino de Deus.

O comentarista da Lição, Claudionor de Andrade, comentando a expressão “nascido da água”, parece seguir esta interpretação de que Jesus estava se referindo ao batismo nas águas. Porém, o comentarista acabou por cometer um equívoco na forma de dissertar sobre o assunto, quando disse: “O batismo em águas só tem efeito salvador, quando recebido pela fé” (o mesmo erro se repete no livro de apoio do mesmo autor[6]). Na verdade, o batismo em águas nunca tem efeito salvador! Como disse Pedro, “cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo” (At 15.11), ou ainda Paulo: “Pela graça sois salvos, por meio da fé…” (Ef 2.8). A fé, não o batismo em águas, é o instrumento para nossa salvação.

Mas acreditamos que o comentarista cometeu um equívoco por desatenção e má formulação do seu pensamento. Por isso, fazemos-lhe justiça, reproduzindo abaixo o que o próprio escreveu sobre a relação BATISMO e REGENERAÇÃO em outra obra, também publicada pela CPAD, intitulada “Dicionário teológico”. Dizia ele mais assertivamente:

“(…) o batismo é um testemunho público daquilo que o Espírito Santo operou na vida do recém-convertido.

O batismo não tem poder regenerador; é símbolo da regeneração (Tt 3.5). Não é um mero rito de iniciação; é uma confissão dramática da fé cristã: através de atos e palavras, o penitente mostra ter aceitado plenamente as verdades a respeito da encarnação, morte vicária e ressurreição de Cristo (Cl 2.12)”.[7]

 

O comentarista da Lição, Claudionor de Andrade, comentando a expressão “nascido da água”, parece seguir esta interpretação de que Jesus estava se referindo ao batismo nas águas. Porém, o comentarista acabou por cometer um equívoco na forma de dissertar sobre o assunto, quando disse: “O batismo em águas só tem efeito salvador, quando recebido pela fé” (o mesmo erro se repete no livro de apoio do mesmo autor[6]). Na verdade, o batismo em águas nunca tem efeito salvador! Como disse Pedro, “cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo” (At 15.11), ou ainda Paulo: “Pela graça sois salvos, por meio da fé…” (Ef 2.8). A fé, não o batismo em águas, é o instrumento para nossa salvação.

Mas acreditamos que o comentarista cometeu um equívoco por desatenção e má formulação do seu pensamento. Por isso, fazemos-lhe justiça, reproduzindo abaixo o que o próprio escreveu sobre a relação BATISMO e REGENERAÇÃO em outra obra, também publicada pela CPAD, intitulada “Dicionário teológico”. Dizia ele mais assertivamente:

“(…) o batismo é um testemunho público daquilo que o Espírito Santo operou na vida do recém-convertido.

O batismo não tem poder regenerador; é símbolo da regeneração (Tt 3.5). Não é um mero rito de iniciação; é uma confissão dramática da fé cristã: através de atos e palavras, o penitente mostra ter aceitado plenamente as verdades a respeito da encarnação, morte vicária e ressurreição de Cristo (Cl 2.12)”.[7]

O novo nascimento pelo Espírito redunda em bençãos maravilhosas para o regenerado: passa da morte para a vida (Jo 5.24); recebe ingresso na família de Deus (Jo 1.12); faz-se morada e templo do Espírito de Deus (1Co 6.19) e recebe força para vencer o pecado (Cl 3.1,2; 1Jo 5.4).

Agora, não estamos mais sob a escravidão do mal, nem fatidicamente derrotados pela nossa própria natureza caída, herdada de Adão; em Cristo, fomos feitos novas criaturas, e nos tornamos participantes da graça divina que é restauradora e capacitadora. O Espírito Santo em nós é o “DNA de Deus”, isto é, a prova de que nascemos de novo (Rm 8.16).

 

TIAGO ROSAS

SITE: GOSPEL PRIME

 

 

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